quinta-feira, julho 7

Bexsero: Vacina contra a meningite B

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A Neisseria meningitidis, bactéria que causa meningites e septicémias potencialmente graves, tem vários serogrupos - A, B, C, Y e W. Em Portugal, os serogrupos mais frequentes são o B e o C, sendo que tem havido nos últimos anos um aumento do serogrupo Y. O PNV inclui, desde 2006, a vacina contra o serogrupo C, na altura o mais frequente no nosso país. Desde a sua introdução, verificou-se uma descida expectável das meningites causadas pelo serogrupo C (gráfico em baixo) e um maior predomínio das meningites causadas pelo serogrupo B. É neste sentido que surge a vacina contra o serogrupo B.  A transmissão faz-se pessoa a pessoa pelas secreções respiratórias de um portador são ou indivíduo doente.

Justificação
Nos últimos anos, a taxa de incidência de doença invasiva por meningococo em Portugal tem sido próxima dos 16 por 100 000 lactentes. Segundo o relatório da doença meningocócica invasiva em Portugal (disponível na íntegra aqui), em 2011 cerca de 72% dos meningococos isolados eram do serogrupo B (gráfico abaixo).  A taxa de letalidade situa-se entre os 5% e os 14% sendo que 11 a 19% sobrevivem com alguma sequela a longo prazo. No gráfico de seguida é mostrada a incidência (número de casos por ano, por cada mil habitantes) de doença meningocócica dos vários grupos

Eficácia da vacina
A vacina atua em 3 proteínas da meningococo B com funções importantes para a sobrevivência.  Contudo, o meningococo B possui uma grande diversidade genética pelo que a vacina não é 100% eficaz. A cobertura estimada para a Europa é de 78% (CI:63-90), variando nos países estudados de 69% em Espanha até 87% em Itália. As estirpes portuguesas não foram testadas pelo que não é possível calcular com precisão a cobertura estimada para Portugal.

Recomendações existentes
Sociedade de Infecciologia Pediátrica: "a vacina de quatro componentes anti-meningocócica tipo B pode ser administrada a todos os lactentes, crianças e adolescentes, nos esquemas recomendados, para protecção da doença invasiva por N. meningitidis tipo B." Esta sociedade acrescenta ainda que "Mesmo desconhecendo-se com precisão qual será a percentagem das estirpes circulantes em Portugal cobertas pela vacina, ela é, actualmente, a única forma de protecção contra a doença invasiva meningocócica tipo B".

Bexsero (0,5 ml) será administrado à sua criança ou a si por um médico ou enfermeiro. Será injetado num músculo, normalmente na coxa dos lactentes ou no braço das crianças, adolescentes e adultos.

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O que é o Meningococo tipo b
O meningococo tipo b é uma bactéria que está presente no nariz e garganta de algumas pessoas (adultos e crianças). Não se sabe bem porque em alguns indivíduos causa a doença.

Doença
Esta bactéria pode provocar meningite e este facto justifica o uso habitual do nome “Vacina da Meningite”, ou sepsis (infeção generalizada do sangue/corpo).
Em qualquer uma das doenças referidas pode provocar sequelas graves ou mesmo a morte (10-15%). A evolução da doença é muito rápida.
Estima-se que 10-20% das pessoas que sobrevivem fica com sequelas graves desde amputações, paralisias, deficiências intelectuais, surdez, etc.

Como se transmite
O contágio ocorre por via respiratória através das gotículas expelidas ao tossir ou espirrar. Quanto mais próximo/íntimo for o contacto maior a probabilidade de contágio.

Sintomas
O período de incubação (desde que se “apanha” essa bactéria até inicio da doença) varia de 3-7 dias. Alguns dos sintomas poderão ser febre, cefaleias, rigidez da nuca/pescoço, vómitos, confusão, intolerância à luz e mialgias. Podem surgir manchas escuras na pele, na maioria das vezes com evolução muito rápida. Cerca de 5-20% manifesta-se como sépsis sem meningite (sem inflamação das membranas que envolvem o cérebro- meninges).

Quem é mais afetado?
A frequência desta infeção é maior nas crianças durante o 1º ano de vida e depois volta a surgir um pico relevante entre 14-19 anos. Portadores de algumas doenças como seja a ausência de baço têm maior risco de contrair a doença

Quando e quantas doses
A vacina contra a meningite B é administrada na coxa dos bebés e no braço das crianças, adolescentes e adultos. Só se pode tomar depois dos 2 meses. De acordo com a idade, as doses variam:
• 2 a 5 meses: 3 doses + 1 reforço.
• 6 a 11 meses: 2 doses + 1 reforço.
• 12 a 23 meses: 2 doses + 1 reforço.
• 2 a 10 anos: 2 doses.
• A partir dos 11 anos, inclusive adultos: 2 doses.

Custo
Os pediatras aconselham a toma da vacina que protege contra a meningite B. Chama-se Bexsero® e não é comparticipada. Cada dose custa € 98,36 e podem ser necessárias 2, 3 ou 4: depende da idade da criança.

Crianças entre os 2 e os 10 anos de idade
Crianças dos 2 aos 10 anos de idade As crianças entre os 2 e 10 anos de idade devem receber duas injeções. - O intervalo entre cada injeção deve ser, no mínimo, 2 meses.

Efeitos secundários possíveis:
Como todas as vacinas, esta vacina pode causar efeitos secundários, embora estes não se manifestem em todas as pessoas. Quando Bexsero for administrada à sua criança ou a si, os efeitos secundários muito frequentes (podem ocorrer em mais de 1 em 10 pessoas) que você ou a sua criança poderão ter (notificados para todos os grupos etários) são:
- dor/sensibilidade no local de injeção, vermelhidão da pele no local de injeção, inchaço da pele no local de injeção, endurecimento da pele no local da injeção.
Os seguintes efeitos secundários podem também ocorrer após receber esta vacina. Lactentes e crianças (até aos 10 anos de idade)

Muito frequentes (podem afetar mais de 1 em 10 pessoas)
- febre (≥38ºC)
- perda de apetite
- sensibilidade ou desconforto no local de injeção (incluindo sensibilidade grave no local de injeção, demonstrada ao chorar quando o membro injetado é manipulado/ mexido)
- dor nas articulações
- erupção na pele (crianças entre os 12 e 23 meses de idade) (pouco frequente após reforço)
- sonolência
- irritabilidade
- choro invulgar
- vómitos
- diarreia
- dor de cabeça

Frequentes (podem afetar até 1 em 10 pessoas)
- erupção na pele (lactentes e crianças entre os 2 e 10 anos de idade)

Pouco frequentes (podem afetar até 1 em 100 pessoas)
- febre alta (≥40°C)
- convulsões (incluindo convulsões febris)
- vómitos (após reforço)
- pele seca - palidez (raro após reforço)

Raros (podem afetar até 1 em 1.000 pessoas)
- Doença de Kawasaki, podendo incluir sintomas como febre com duração superior a cinco dias, associada a erupção na pele (manchas na pele) no tronco por vezes seguida por descamação da pele das mãos e dedos, gânglios inchados no pescoço, e olhos, lábios, garganta e língua vermelhos


- Erupção na pele com ou sem comichão

Fontes:

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